Meu primeiro self service

 

1979653_10202889736861108_1210230189_n

Sua porta é muito estreita, tanto que é possível passar por ela sem percebê-la. Há em sua entrada uma escada enorme e, ao final dela, um aquário.

Meu pai, há alguns bons anos, em seus tempos de trabalho no centro da cidade, encontrou-o: o famoso ‘chinesinho’, apelido dado ao restaurante de comidas chinesas.

Eu ainda era bem menina quando, todo sábado, saía para passear com o papai. Era o máximo! Coisa divertidíssima, embora torturante.

A tortura ocorria porque em meio a tantas lojas e ‘camelôs’ (na época, eram os que mais ocupavam as ruas de Belo Horizonte), eu desejava várias coisas, as quais nem sempre eu ganhava. Chorava sempre para tentar convencer, no entanto, não adiantava.

Tudo bem! Hoje reconheço que isso fazia parte da boa educação que recebi dos meus pais.

Num sábado bem comum, meu querido pai resolveu me levar a um ‘self service’ – nome inclusive difícil para mim, na época. Meu irmão mais velho estava junto também.

Chegando lá, a ressalva foi firme, meu pai me disse: ‘coloque a quantidade que você aguenta comer, não exagere!’; é claro que acatei.

Mesmo diante daquela variedade toda, me contive e fiz meu prato. Coloquei arroz, batata frita, milho e amendoim. Pensei em coisas leves para não abusar na balança (e no preço!).

Coisa estranha a minha combinação. Pensando bem, meu prato não ficou ‘chinês’, mas o que importa é que eu me diverti.

Meu pai e meu irmão riram da minha escolha e, até hoje, relembram achando graça. O engraçado disso tudo é que nunca me esqueci desse dia.

Voltamos lá mais vezes e, aos poucos, aprendi a ‘almoçar fora’. Cresci!

E hoje vou a este restaurante mesmo sozinha, como fiz há alguns dias. Sempre que vou lá me lembro desse sábado ‘self service’ da minha infância, ele renasce em minha memória e arranca de mim sorrisos bem nostálgicos.

20130209-011028.jpg

Anúncios

Tempo com Deus

Já parou para pensar em quanto tempo você gasta, diariamente, com as suas atividades? Várias horas no trabalho, horas e mais horas nos estudos e por aí vai. Não é mesmo? É assim comigo também.

No entanto, há dias venho pensando no quão importante é passar tempo com Deus. Mas não simplesmente abrir a Bíblia aleatoriamente e lê-la, falar meia dúzia de palavras a Deus e voltar à rotina do dia a dia.

das-utopias-mario-quintana-300x225

Falo de tempo de qualidade; Falo de pensamento ligado em Deus o dia inteiro; Falo de meditação nas Palavras dEle constantemente, em adoração sincera ao longo do dia.

Sabe o que comecei a perceber? Que não importa o lugar, o momento, a hora… Se a minha alma está de joelhos diante de Deus, ela o está adorando. E a alma humana encontra-se de joelhos quando reconhece a grandeza de Deus e a necessidade de tê-lo bem próximo.

Os salmistas olhavam para a criação e transformavam tudo o que viam em poesia. Inspirados, cheios de vontade de adorar a Deus, certa vez um deles disse:

Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. (Salmos 42:1)

Para o poeta, não bastava apenas dizer: “Deus, eu preciso de Ti”. Não cabia nos salmistas tamanha vontade de expressar adoração a Deus, eles sempre queriam mais. Por meio de suas palavras, até hoje, somos inspirados e constrangidos pelo grande amor de Deus.

O que eu quero mostrar com esse simples exemplo, é que podemos passar tempo de qualidade com Deus a qualquer momento, em qualquer lugar. Basta, como os salmistas, desejarmos de forma sincera a presença de Deus!

20130209-011028.jpg

Oração da alma

Lembro-me de ter lido em algum lugar algo sobre ‘alma de joelhos’. Lembro-me que isso marcou muito meu coração, tanto que comecei a incluir em minhas preces a vontade que tenho de que minha alma permaneça de joelhos diante de Deus.

Especialmente nessa semana, essas palavras vieram com os ventos acionar minhas lembranças.

Procurando aqui na internet, encontrei a seguinte frase:

Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos. (Victor Hugo)

É exatamente assim que me sinto em algumas situações.

Com a correria do dia a dia, confesso, pouco tenho me ajoelhado diante de Deus para, talvez, simplesmente reconhecer sua grandeza. Mas, minh’alma se volta a Ele, e, constantemente, reconhece a necessidade da companhia dEle ao longo dos dias.

Sei que Deus nos encontra até mesmo quando estamos distraídos. Seu chamado é doce, irresistível; sua companhia acalenta a vida. É justamente isso que motiva minha alma a se ajoelhar.

Ainda que o cansaço venha, o que me consola é saber que Deus não nos sobrecarrega. Ainda que o desânimo bata à porta, o que me consola é a voz de Deus nos detalhes mais “insignificantes” da vida.

Tenho isto por certo: ‘(…) Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia.’ (2 Coríntios 4:16)

Ainda que meu corpo esteja cansado, que minha alma se ajoelhe e que meu espírito seja diariamente renovado. Sobretudo, na companhia de Deus.

Que assim seja!

20130209-011028.jpg

Sabor de infância

Lembro-me constantemente da minha infância. Nesses últimos dias me lembrei das coisas que me faziam bem.

Aprendi, com o tempo, a não querer demais as coisas. Aprendi a enxergar gestos!

Lembro-me que, os bilhetes deixados pela minha mãe sobre a cama, enchiam meu coração de riso. Sempre carinhosa, ela transmitia algum recado por meio das palavras.

Lembro-me do apelido – carinhosíssimo, por sinal – que meu pai me deu. Tal apelido me acompanha até hoje, é um dos sabores da minha infância que não perdeu o gosto.

No entanto, como toda criança, eu também esperava presentes em datas comemorativas. Inclusive, tínhamos uma espécie de ‘ritual’ em aniversários. Nossos presentes eram deixados na ponto da cama, bem perto do pé. (Na minha cama sempre sobrava espaço, sou pequena!)

Esse gesto, por exemplo, nunca abandonará as minhas lembranças, porém, alguns dos presentes já foram esquecidos.

Aprendi, com isso, a valorizar os pequenos gestos, as manias de família, as atitudes carregadas de amor. Coisas ‘bobas’, coisas simples, mas são essas coisas que têm valor, não preço. E é exatamente por isso que não esqueço-as.

Aquilo que tem valor, gruda na alma da gente!

Trazendo isso tudo à memória, entendo um pouco do conselho de Paulo:

E tudo quanto fizerem, façam com bondade e amor. (1 Coríntios 16:14)

20130209-010952.jpg

Sutilezas

ler

Em meio a tantas correrias, às vezes não temos tempo para admirar a bondade de Deus. Isso acontece, principalmente, quando a mesmice domina nossos dias, tirando de cada um deles — aos poucos — a beleza dos detalhes.

Chamo isso de rotina. Não gosto muito dessa palavra, mas constantemente me vejo envolvida por ela.

A rotina nos tira o prazer de olhar à nossa volta. Ela nos impede de olhar para o céu durante um longo tempo, e também não nos permite perceber se, por onde a gente passa, existe alguma flor brotando num canto; Ou se, ainda, existem ninhos nos galhos das árvores que nos cercam.

A verdade é que não temos tanto tempo assim para sutilezas.

Lamentável!

Porque eu acredito que a bondade de Deus não está contida somente em grandes feitos… Tolice é pensar que Deus fala apenas por meio de barulhos e sons estrondosos.

Para mim, na verdade, a bondade de Deus se revela muito mais àqueles que a enxergam nos detalhes sutis de cada dia; É bem quando ‘não temos tempo’, que Deus mostra sua bondade, e nós deixamos passar.

Me lembro [sempre] dos conselhos de Jesus. Quanto às sutileza, lembro-me de quando Ele nos pediu para observarmos as aves, os lírios… Jesus ensinou, com isso, que importante mesmo é aprender com Deus através da criação.

Então, que possamos juntos, a cada passo, ‘contemplar a bondade do Senhor e buscar sua orientação’ (Salmos 27:4), sempre!

20130209-010952.jpg

O som do amor

Era uma manhã comum, o inverno se aproximava… Logo cedo eu estava de pé, ou melhor, de joelhos dobrados reconhecendo minha fragilidade diante da vida.

Calmamente, minh’alma pedia pelo som do amor de Deus, assim como o salmista fez há anos:

Faze-me ouvir do teu amor leal pela manhã…

De repente me vi pensando nesse som. Mas o que seria o som do amor de Deus? O amor, por acaso, emite som? Seria um simples sussurro? Um barulho? Ou, talvez, uma música?

Ouvir do amor de Deus pela manhã…

Imagino que seja o som do sol se espreguiçando bem cedinho, após uma noite escura, trazendo luz e colorindo tudo à sua volta outra vez;

Ou, quem sabe, o som dos pássaros brincando nos jardins da casa de Deus;

Pode ser, ainda (ou também!), o som das flores — perfeitinhas como são — ao desabrocharem, trazendo mais esperança, trazendo sonhos…

Enfim, pela manhã toda a natureza canta o amor de Deus, por uma razão simples: a alegria renasce todos os dias. Bem cedinho, junto do amanhecer, as misericórdias de Deus se renovam.

Há esperança! Afinal, como o salmista disse, o amor de Deus é leal, inteiramente fiel.

Minh’alma ficou leve. Ouviu o som do amor de Deus e dançou.

Me senti ainda menor, como quem cabe na palma da mão de Deus. Reconheci que não há lugar melhor. Sua música é permanente, basta uma maior proximidade para ouvi-la.

Então, continuei minha prece:

Mostra-me o caminho que devo seguir…

Estava, portanto, pronta para mais um dia na companhia de Deus.

[Salmos 143:8]

20130209-010952.jpg

C[oração] que agrada a Deus

Tumblr_mdyo3r5uao1rlgly6o1_1280_large

Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.

Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue.

Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.

Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria.

Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.

Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.

(Salmos 51:1-12)

Não nego, amo o livro de Salmos. Quando não encontro minhas próprias palavras para me dirigir a Deus, recorro a esse livro e sempre encontro uma oração que cabe no meu momento. Então, simplesmente digo: “Senhor, faço do Salmo X a minha oração de hoje!”

É incrível, às vezes parece que determinados salmos foram retirados do meu coração, ou ainda, que foram escritos justamente para que eu os usasse nesses momentos em que as palavras somem.

Recentemente meditei no Salmo 51. Este foi escrito por Davi quando o profeta Natã foi repreendê-lo devido ao seu pecado (adultério com Bate-Seba). Percebi que ao escrever essas palavras, Davi colocou seu coração — com sinceridade — em cada uma delas.

Primeiro Davi clama por misericórdia (perdão concedido unicamente por bondade; graça);  pede para que o Senhor apague suas transgressões, e que o limpe/purifique do que ele havia feito.

Percebe-se que Davi não inventa desculpas, como por exemplo: “Ah, Deus, foi sem querer!”, “Mas, Deus, eu sou humano!”, “Foi só dessa vez, Deus!”, e outras. Não! Davi rasga seu coração diante de Deus, ele reconhece (declara, confessa) seu pecado.

Pois eu mesmo RECONHEÇO as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. (v. 3)

O próprio Davi, em meio ao desabafo, diz que sabia o que o Senhor desejava (verdade em seu íntimo), com isso, fica mais uma vez perceptível que ele pecou consciente, isto é, sabia que estava fazendo coisa errada. Mas por causa das concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida, ele pecou.

O que Davi mais queria naquele momento em que “a ficha caiu” era o perdão do Senhor. Por isso escreve esse Salmo.

Ele pede mais ao Senhor. Pede um coração PURO (sem mácula, incorrupto; correto; isento de culpa; completo; sincero; simples, mero). Pede que o Senhor renove dentro dele um espiríto estável, ou seja, um espírito constante, que vive para agradar ao Senhor sempre, em toda e qualquer situação.

O pecado de Davi era grave e poderia provocar terríveis consequências para sua vida (e também para o povo). Sabendo disso, ele pede a Deus para permanecer em Sua presença, e também que o Santo Espírito não lhe fosse tirado.

Davi amava a Deus. Davi amava a presença de Deus; ansiava por ela. Quando ele se deu conta do que tinha feito CONTRA o Senhor, ele se desespera. O que ele mais quer é ser LIMPO daquele mal, ele busca recomeçar. Para Davi a presença de Deus era o que mais lhe importava.

Por fim, Davi pede que o Senhor lhe devolva a ALEGRIA DA SALVAÇÃO, que tantas vezes se perde em meio às coisas terrenas. Não existe maior motivo para louvar, agradecer, engrandecer, servir, obedecer, enfim, amar a Deus do que a salvação. Então, Davi, disposto a recomeçar, pede a Deus que o sustente com um espírito pronto a obedecer.

Através dessas (e outras) atitudes é que Davi é chamado de HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS. O coração de Davi era parecido com o coração de Deus.

[Deus] levantou-lhes Davi como rei, sobre quem testemunhou: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração; ele fará tudo o que for da minha vontade’. (Atos 13:22)

Por achar isso tão lindo é que amo estudar, conhecer e aprender sobre a história desse grande homem. Ter um coração segundo o coração de Deus é fazer tudo o que é da vontade dEle. E para viver assim, é preciso ter a VERDADE no íntimo (interior e profundo), ou seja, Jesus.

Arrepender-se, clamar por misericórdia, reconhecer o erro, confessá-lo, pedir perdão e mudar de atitude; Buscar um coração puro, um espírito estável; valorizar a presença e o Espírito de Deus; resgatar a alegria da salvação; e obedecer ao Senhor. Essas foram as atitudes de Davi. Essas são as atitudes de quem quer recomeçar e/ou agradar a Deus de verdade.

Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou. (1 João 2:5-6)

Com carinho,