A pretensão do saber

 

Já há alguns dias, venho refletindo no quão saboroso é o conhecer; aprender novas coisas é um dom!
No entanto, a linha entre o ser sábio e ser pretensioso é muito tênue, e, às vezes, essa linha some. É nessa fusão que mora o perigo!

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Deixamos, pois, de lado a humildade e por ter noção de algumas coisas, somos levados a inferiorizar aqueles que pensamos não saber aquilo que aprendemos.

Acontece que a própria vida ensina e há muito ‘diplomado’ que não tem um pingo da sabedoria que uma pessoa ‘vivida’ tem. O diferencial não está nos anos de faculdade ou nos títulos adquiridos, está, sobretudo, na simplicidade de encarar a vida com gosto.

É claro que aprender é sensacional! É, inclusive, meu verbo favorito. Mas, não desprezo as sabedorias tidas como ‘menores’, aquelas aprendidas com os avós, com os pais, com os vizinhos, com as brincadeiras na rua, com as flores, com os pássaros, com o céu, com as nuvens, com o sol, com as cores etc.

‘Só sei que nada sei’ é uma frase clássica do filósofo grego Sócrates,e é também o que tento fixar em meu coração, até mesmo quando aprendo algo novo.

Embora tenha vivido pouco mais de duas décadas, já aprendi que a pretensão do saber torna altivo o olhar e tira-nos a ternura da descoberta. Isso porque o conhecimento, de certa forma, massageia o ego. 

Mas, em meio a tudo isso, o Amor nos lembra que somos pó e que é com humildade que devemos seguir nesta vida! 🙂

(…) com os humildes está a sabedoria. (Provérbios 11:2)

Visto isso, minha prece é para que a sabedoria das coisas não me tire a simplicidade do coração (nunca!).

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Meu primeiro self service

 

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Sua porta é muito estreita, tanto que é possível passar por ela sem percebê-la. Há em sua entrada uma escada enorme e, ao final dela, um aquário.

Meu pai, há alguns bons anos, em seus tempos de trabalho no centro da cidade, encontrou-o: o famoso ‘chinesinho’, apelido dado ao restaurante de comidas chinesas.

Eu ainda era bem menina quando, todo sábado, saía para passear com o papai. Era o máximo! Coisa divertidíssima, embora torturante.

A tortura ocorria porque em meio a tantas lojas e ‘camelôs’ (na época, eram os que mais ocupavam as ruas de Belo Horizonte), eu desejava várias coisas, as quais nem sempre eu ganhava. Chorava sempre para tentar convencer, no entanto, não adiantava.

Tudo bem! Hoje reconheço que isso fazia parte da boa educação que recebi dos meus pais.

Num sábado bem comum, meu querido pai resolveu me levar a um ‘self service’ – nome inclusive difícil para mim, na época. Meu irmão mais velho estava junto também.

Chegando lá, a ressalva foi firme, meu pai me disse: ‘coloque a quantidade que você aguenta comer, não exagere!’; é claro que acatei.

Mesmo diante daquela variedade toda, me contive e fiz meu prato. Coloquei arroz, batata frita, milho e amendoim. Pensei em coisas leves para não abusar na balança (e no preço!).

Coisa estranha a minha combinação. Pensando bem, meu prato não ficou ‘chinês’, mas o que importa é que eu me diverti.

Meu pai e meu irmão riram da minha escolha e, até hoje, relembram achando graça. O engraçado disso tudo é que nunca me esqueci desse dia.

Voltamos lá mais vezes e, aos poucos, aprendi a ‘almoçar fora’. Cresci!

E hoje vou a este restaurante mesmo sozinha, como fiz há alguns dias. Sempre que vou lá me lembro desse sábado ‘self service’ da minha infância, ele renasce em minha memória e arranca de mim sorrisos bem nostálgicos.

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E quando tudo dá ‘errado’?

Hoje foi um dia daqueles!

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Acordei bem, aproveitando meu último dia do feriado. Tomei meu café já emendando o almoço. Logo após peguei um pequeno bloquinho com folhas compridas e fiz uma listinha de tudo o que pretendia fazer.

Anotei algumas coisas em ordem de prioridades e saímos, eu e minha mãe.

Em poucas horas de passeio, já percebi que algumas coisas não dariam certo. Porém, para salvar minha tarde, passei em uma loja para mostrar uma surpresa à minha mãe que se encantou com o que mostrei-lhe. Esse momento do dia nos rendeu sorrisos.

Mas, como nem tudo são flores, em poucos passos já vi que minha atividade principal do dia desceria por água abaixo: não deu nada certo!

Fiquei frustrada. Saí de casa, principalmente, com a pretensão de que daria tudo certo. No entanto, minha memória me traiu e me esqueci de um item importante para completar o que eu tanto queria fazer.

Enfim, depois de várias tentativas para solucionar o problema (inclusive lágrimas), resolvemos voltar para casa.

Perguntei-me o porquê de tudo aquilo e depois de me acalmar, fiz questão de me lembrar de um verso da Palavra de Deus:

‘Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus…’ (Romanos 8:28)

Esse foi (e sempre é!) meu consolo.

Depois que a parte chata passou, lembrei-me do momento do meu dia que mais me fez sorrir e coloquei-o como o ‘principal’ do dia.

Isso me fez perceber o cuidado de Deus, pois o momento bom é também parte da realização de um grande sonho meu. Inverti as prioridades do meu dia e ficou tudo bem.

Sabe o que aprendi? Que quando tudo dá ‘errado’ é porque precisamos aprender algo.

E que às vezes é isto que é preciso fazer: inverter prioridades para enxergar o que, de fato, vale a pena. A vida é preenchida por momentos e a gente passa por alguns que são ruins mesmo. Mas, atrelados a eles sempre há os momentos bons, dos quais ganhamos grandes lições.

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Da minha vontade de [sempre] escrever

Às vezes passo longos dias com efervescências mentais. Parece que em minha cabeça há mil assuntos para serem descarregados em uma folha de papel. Porém, o mais curioso disso é que quando paro para organizar tais ideias, parece que elas se escondem dentro de mim como se não quisessem sair.

“Tudo bem! Em uma outra oportunidade, tento mais uma vez”, é o que eu sempre penso para me consolar.

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Acontece que apareceram as outras oportunidades – muitas, inclusive! – e mesmo assim, as ideias não quiseram saltar de mim. O que fazer quando as palavras não são suficientes para transpor o que há dentro da gente?

Se nem as palavras me são suficientes, o que será?

Lembro-me de todas as outras vezes, não fracassadas, em que consegui (quase como um ato de libertação) escrever o que eu queria. Outrora, selecionava um tema legal e discorria sem medo. Palavras me vinham como chuva.

Ah! Que tempo bom!

Vivo, nos últimos dias, em uma estação sem chuva. Sem palavras! “Olha: ‘A menina sem palavras’ já seria um bom título de livro”. Mas como escrever um livro se nem um simples texto eu consigo? Volto à ideia do livro e penso no quão legal seria narrar a vida de uma menina que sempre se deu bem com as palavras, mas que de repente elas não lhe eram mais familiares.

Seria uma tragédia? Seria um drama? Ou, talvez, a menina encontraria o amor de sua vida e, com ele, a inspiração para a escrita; aí, então, o livro se transformaria num belo romance meloso?

Não. Não. Não e não. Nada disso. A única coisa com a qual me preocupo no momento é com a minha destreza para a escrita. Para onde ela foi? Dizem que tudo na vida se desenvolve com prática. Então, o que me falta é prática.

É isso! Somente praticando posso me aproximar das palavras novamente.

Por isso, vou praticar. Vou escrever muito. Agora vou escrever tudo o que me vier à mente. Vou contar aos meus papéis como foram meus dias, meus passos, minhas angústias e felicidades… Enfim, vou contar tudo. Sempre gostei mesmo de escrever.

Ora, então nada mais justo que voltar àquela rotina de menina, de escrever diariamente o que me ocorria. Decidido! Não vou mais parar de escrever. Agora vou escrever tudo! Até me cansar. Até me acostumar. Até as palavras me abraçarem de novo e perceberem que o que mais quero é eternizá-las.

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Colcha de retalhos

O calendário sobre a mesa anuncia: hoje é o último dia do ano. Hora de esticar a colcha!

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Quando 2013 chegou mais um retalho foi costurado em outro, dando início a mais um pedaço da grande colcha. Enquanto a costura ocorria, não foi possível apreciá-la.

Linhas foram espalhadas pela sala; agulhas, tesouras, alfinetes… Há pedaços de panos em todos os cantos.

Mais um olhada para o calendário que – novamente – anuncia: hoje é o último dia do ano. A arrumação, então, começa. Hora de limpar a bagunça. Hora de encontrar espaço para ver o resultado do trabalho feito.

Retalhos escuros, claros, estampados e lisos, todos fizeram parte da costura de 2013. Algumas vezes foi preciso descosturar alguns retalhos que não deram certo. Mas, enfim, hoje, mais um pedaço da colcha está pronto.

Enquanto a arrumação é feita, o calendário insiste: hoje é o último dia do ano. Então as linhas brancas e pretas foram colocadas no armário, as linhas coloridas foram colocadas nas estantes, cada uma em seu lugar. As capas foram colocadas sobre as máquinas de costura e os retalhos espalhados foram colhidos.

Foi preciso, ainda, dar uma volta pela sala, verificar se estava tudo certo…

Então um espaço para esticar a colcha surgiu. Antes de o relógio anunciar a chegada de mais um ano, é preciso ver o que foi feito. A colcha, portanto, é esticada.

Uau! É admirável. Retalhos de todas as formas e cores. À primeira vista, parece não haver sintonia entre os retalhos mas, ao observar com cuidado, é possível perceber que eles se encaixam perfeitamente bem. Com a colcha esticada é possível ver o que foi feito, e relembrar a costura de cada pequeno retalho é gratificante.

A vida é mesmo uma colcha de retalhos e em cada novo ano (ou ciclo!) ganhamos a oportunidade de costurar mais. Cada um dos nossos passos são novos retalhos e, com eles, compomos mais um pouco da nossa colcha.

Agora a sala está limpa, organizada e pronta para mais uma costura!

UM FELIZ ANO NOVO PARA VOCÊS!!!

O amanhã

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O dia amanheceu normal, na verdade, meio preguiçoso. Chuva leve, céu cinza, pouco barulho… Acho que as pessoas estão acompanhando esse ritmo. Os pássaros cantam baixinho. Ao que parece o dia será longo.

Já cedo, livros me fazem companhia. Coisa boa! Inicio meu dia, após um café bem quente, com as Sagradas Escrituras. Depois passo para um poema, ou para um conto, ou crônica, enfim, gosto de iniciar meu dia com Literatura.

A manhã foi assim: leitura, leitura e mais leitura.

No início da tarde, levei o pai ao médico. Lá meu dia começou a mudar. Muitas pessoas na sala de espera, a televisão ligada era ignorada, muitas crianças…

Uma moça baixinha andava de um lado para o outro chamando as pessoas para serem atendidas. Eu já desconfiara que o dia seria longo, confirmei isso na sala de espera. As esperas sempre se mostram longas.

Me peguei pensando nisso, numa era em que tudo é muito rápido, é quase uma ofensa a tal sala de espera. Mas, esperamos (eu e o meu pai).

Observei com cuidado cada uma daquelas pessoas. Meus olhos detalhavam cada parte daquele lugar. Os semblantes, às vezes, tristes. Alguns preocupados. Outros até com medo.

Meu pai, com dor no joelho, foi chamado. Se levantou e com alguma dificuldade caminhou até o local do atendimento.

Fiquei sozinha, em meio àquelas pessoas.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando meu coração percebeu um velhinho, bem velhinho, com cabelos de algodão, sentado bem à frente. Comecei a imaginar meu pai daqui a alguns anos.

Silenciosamente, pedi a Deus que me desse condições de cuidar bem dos meus pais. Uma primeira condição ele já deu, e com o tempo, creio eu, as coisas vêm. Tenho uma vontade grande, desde menina, de cuidar dos meus pais na velhice. Não abandoná-los de maneira nenhuma. Ali mesmo, pedi paciência, carinho, amor, bom ânimo…

Pois as pessoas carecem de sentimentos alheios. As pessoas querem ser abraçadas em momentos difíceis, querem ter um ombro para chorar seus medos. Falo isso porque já frequentei asilos durante um tempo com um grupo da minha igreja local. Foi uma época muito preciosa da minha vida. Bem na minha adolescência aprendi um tanto com os velhinhos que conheci.

É isso!

Aquele velhinho, tão compacto, me ensinou que é preciso pensar no futuro. Ele nem sabe que eu o estava observando, mas meus olhos o fotografaram. Meus olhos registraram principalmente seus cabelos, que marcavam sua melhor idade.

Desejei que ele tivesse alguém que cuidasse dele, alguém que o abraçasse. E desejei mais ainda retribuir aos meus pais tudo o que eles sempre fizeram por mim.

A vida é um ciclo. Tem um verso da Bíblia que gosto muito que ilustra bem isso: ‘(…) o que o homem semear isso também colherá’ (Gálatas 6:7b). Não faz mal plantar amor, faz [muito] bem.

O dia foi longo, mas às três da tarde eu já estava em casa. Dentro de mim estava o reflexo do dia cinza, meio chuvoso, porém leve, muito leve.

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Recomeçar, sem parar!

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Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. (Salmos 19:1)

Quem me acompanha por aqui há mais tempo sabe que amo o livro de Salmos e amo, também, admirar a natureza.

O primeiro versículo do capítulo 19 desse maravilhoso livro diz que, por meio dos céus, podemos enxergar [um pouco] da grandeza de Deus. Nada melhor, então, que olhar para cima e admirar essa imensidão como quem exalta seu Criador.

Nesse livro encontramos várias e várias referências à natureza. Isso não é à toa. Adoramos a Deus quando reconhecemos que a beleza da natureza vem de Suas mãos.

Quando elogiamos uma obra de arte, geralmente elogiamos também quem a criou. Se não conhecemos o artista, logo procuraremos saber um pouco mais sobre sua vida, obras e afins, não é mesmo?

Com a natureza não é diferente.

Nada me inspira mais que a criação. Por meio dela percebo o cuidado e o capricho de Deus. Aprendo muito! O próprio Jesus, em suas parábolas, fez muitas referências à natureza.

A verdade é que quanto mais a gente se aproxima de Deus, mais a gente valoriza as coisas simples, os detalhes de tudo o que Ele faz. Para mim não há maior artista. Os céus nos dizem o quão zeloso Ele é. Admirar a beleza da criação, pra mim, definitivamente, é uma forma autêntica de adoração a Deus! Até porque aprendo muito com Ele através dela.

Quando nos deparamos com uma cena como a da foto (que registrei dia 15/11/2013 aqui na minha cidade), por exemplo, é impossível não admirar tamanha perfeição do Criador. Aprendo com o sol a recomeçar, sem parar; aprendo sobre as novas chances diárias; sobre renovação!

Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (2 Coríntios 5:17)

Permanecerei assim, olhando para os céus todos os dias em busca de conhecer um pouco mais da grandeza de Deus; em busca de aprender grandes lições de forma tão sutil. Reparando que, assim como o sol, posso recomeçar todos os dias; posso viver as ‘coisas novas’ a cada nova manhã. E, a cada pôr-do-sol, lembrar-me de que ‘as coisas antigas já passaram’.

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