Cartas perto do coração

Não é novidade para ninguém que amo ler, amo livros e – principalmente – amo a Literatura Brasileira. Juntando todo esse gosto com a minha paixão por cartas, encontrei o livro ‘Cartas perto do coração’ em agosto do ano passado, no evento ‘Salão do Livro’, aqui em Belo Horizonte. Foi um achado! Dádiva! Valeu a pena a compra.

O livro foi publicado em 2011 pela Editora Record, tem 206 páginas.

Demorei para começar a leitura, pois já estava com outros livros ‘na fila’. Comecei, portanto, no final do mês passado. Embora seja um livro curto, demorei a terminá-lo porque entrei em cada carta (de corpo e alma). Marquei vários trechos legais e me aproximei ainda mais dos ‘bastidores’ de Lispector e Sabino. Experiência maravilhosa!

Para quem não sabe, Clarice Lispector (1920 — 1977) foi uma grande escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira. Contemporâneo, Fernando Sabino (1923 — 2004) também era escritor e jornalista brasileiro. 

As cartas contidas no livro são de 1946 a 1969. O assunto principal é nada mais nada menos que LIVRO! O mais atraente de cada carta é como eles falavam sobre suas escritas e anseios. O processo criativo de cada um é um mistério, mas, ao mesmo tempo, é-nos revelado.

Como sou estudante de Letras (Edição), atentei-me a detalhes de publicações da época. Clarice não estava no Brasil e se queixava por não publicarem seus livros, já Fernando compartilhava as notícias brasileiras com Clarice e a mantinha informada sobre editoras, publicações e escritores brasileiros.

Confira alguns dos trechos que mais gostei:


‘Viver devagar é que é bom, e entreviver-se, amando, desejando e sofrendo, avançando e recuando, tirando das coisas ao redor uma íntima compensação recriando em si mesmo a reserva dos outros e vivendo em uníssono. Isso é que é viver, e viver afinal é questão de paciência.’ (Fernando Sabino, p. 24)

‘A seriedade excessiva às vezes atrapalha: a molecagem às vezes dá surpresa e fica mais séria do que a pior das seriedades.’ (Fernando Sabino, p. 67)

‘Como é que se pode ver a curva tão larga das coisas se se está tão próximo como é próximo o dia? Pois se às vezes a palavra que falta para completar um pensamento pode levar meia vida para aparecer. (Clarice Lispector, p. 98)

‘(…) um sentimento ruim é o da impaciência. (Clarice Lispector, p. 122)


Fotografei, também, a parte em que Fernando Sabino indica para Clarice a leitura de ‘Grande Sertão: Veredas’ de Guimarães Rosa (uma das minhas #UrgênciasLiterárias):

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Para quem gosta de ‘curiosidades’ literárias, vale muito a leitura.

Gostou? Aqui você encontra o livro.

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