Colcha de retalhos

O calendário sobre a mesa anuncia: hoje é o último dia do ano. Hora de esticar a colcha!

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Quando 2013 chegou mais um retalho foi costurado em outro, dando início a mais um pedaço da grande colcha. Enquanto a costura ocorria, não foi possível apreciá-la.

Linhas foram espalhadas pela sala; agulhas, tesouras, alfinetes… Há pedaços de panos em todos os cantos.

Mais um olhada para o calendário que – novamente – anuncia: hoje é o último dia do ano. A arrumação, então, começa. Hora de limpar a bagunça. Hora de encontrar espaço para ver o resultado do trabalho feito.

Retalhos escuros, claros, estampados e lisos, todos fizeram parte da costura de 2013. Algumas vezes foi preciso descosturar alguns retalhos que não deram certo. Mas, enfim, hoje, mais um pedaço da colcha está pronto.

Enquanto a arrumação é feita, o calendário insiste: hoje é o último dia do ano. Então as linhas brancas e pretas foram colocadas no armário, as linhas coloridas foram colocadas nas estantes, cada uma em seu lugar. As capas foram colocadas sobre as máquinas de costura e os retalhos espalhados foram colhidos.

Foi preciso, ainda, dar uma volta pela sala, verificar se estava tudo certo…

Então um espaço para esticar a colcha surgiu. Antes de o relógio anunciar a chegada de mais um ano, é preciso ver o que foi feito. A colcha, portanto, é esticada.

Uau! É admirável. Retalhos de todas as formas e cores. À primeira vista, parece não haver sintonia entre os retalhos mas, ao observar com cuidado, é possível perceber que eles se encaixam perfeitamente bem. Com a colcha esticada é possível ver o que foi feito, e relembrar a costura de cada pequeno retalho é gratificante.

A vida é mesmo uma colcha de retalhos e em cada novo ano (ou ciclo!) ganhamos a oportunidade de costurar mais. Cada um dos nossos passos são novos retalhos e, com eles, compomos mais um pouco da nossa colcha.

Agora a sala está limpa, organizada e pronta para mais uma costura!

UM FELIZ ANO NOVO PARA VOCÊS!!!

O amanhã

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O dia amanheceu normal, na verdade, meio preguiçoso. Chuva leve, céu cinza, pouco barulho… Acho que as pessoas estão acompanhando esse ritmo. Os pássaros cantam baixinho. Ao que parece o dia será longo.

Já cedo, livros me fazem companhia. Coisa boa! Inicio meu dia, após um café bem quente, com as Sagradas Escrituras. Depois passo para um poema, ou para um conto, ou crônica, enfim, gosto de iniciar meu dia com Literatura.

A manhã foi assim: leitura, leitura e mais leitura.

No início da tarde, levei o pai ao médico. Lá meu dia começou a mudar. Muitas pessoas na sala de espera, a televisão ligada era ignorada, muitas crianças…

Uma moça baixinha andava de um lado para o outro chamando as pessoas para serem atendidas. Eu já desconfiara que o dia seria longo, confirmei isso na sala de espera. As esperas sempre se mostram longas.

Me peguei pensando nisso, numa era em que tudo é muito rápido, é quase uma ofensa a tal sala de espera. Mas, esperamos (eu e o meu pai).

Observei com cuidado cada uma daquelas pessoas. Meus olhos detalhavam cada parte daquele lugar. Os semblantes, às vezes, tristes. Alguns preocupados. Outros até com medo.

Meu pai, com dor no joelho, foi chamado. Se levantou e com alguma dificuldade caminhou até o local do atendimento.

Fiquei sozinha, em meio àquelas pessoas.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando meu coração percebeu um velhinho, bem velhinho, com cabelos de algodão, sentado bem à frente. Comecei a imaginar meu pai daqui a alguns anos.

Silenciosamente, pedi a Deus que me desse condições de cuidar bem dos meus pais. Uma primeira condição ele já deu, e com o tempo, creio eu, as coisas vêm. Tenho uma vontade grande, desde menina, de cuidar dos meus pais na velhice. Não abandoná-los de maneira nenhuma. Ali mesmo, pedi paciência, carinho, amor, bom ânimo…

Pois as pessoas carecem de sentimentos alheios. As pessoas querem ser abraçadas em momentos difíceis, querem ter um ombro para chorar seus medos. Falo isso porque já frequentei asilos durante um tempo com um grupo da minha igreja local. Foi uma época muito preciosa da minha vida. Bem na minha adolescência aprendi um tanto com os velhinhos que conheci.

É isso!

Aquele velhinho, tão compacto, me ensinou que é preciso pensar no futuro. Ele nem sabe que eu o estava observando, mas meus olhos o fotografaram. Meus olhos registraram principalmente seus cabelos, que marcavam sua melhor idade.

Desejei que ele tivesse alguém que cuidasse dele, alguém que o abraçasse. E desejei mais ainda retribuir aos meus pais tudo o que eles sempre fizeram por mim.

A vida é um ciclo. Tem um verso da Bíblia que gosto muito que ilustra bem isso: ‘(…) o que o homem semear isso também colherá’ (Gálatas 6:7b). Não faz mal plantar amor, faz [muito] bem.

O dia foi longo, mas às três da tarde eu já estava em casa. Dentro de mim estava o reflexo do dia cinza, meio chuvoso, porém leve, muito leve.

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É natal

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Uma estrela brilhou, é natal
Os céus anunciam o nascimento do Salvador

Ele veio de forma singela
Embora rico, não ostentou luxo
Preferiu conhecer a luz em meio à criação
Seu primeiro choro se misturou aos ruídos dos animais

Os céus se alegram com a vinda do Salvador
Uma noite especial, é natal

Ele cresceu de forma simples
Embora com tudo em mãos, escolheu a renúncia
Preferiu, por amor, obedecer ao Pai
Seus primeiros passos trouxeram boas notícias

Uma estrela brilhou, é natal
A terra, que estava em trevas, enfim, enxergou a Luz

Tathiana Oliveira
Belo Horizonte, 2013

Contentamento

Ao caminhar pelas ruas, Alice recebeu, de um moço mais velho, um folheto com o seguinte versículo bíblico:

Estejam sempre cheios de alegria no Senhor; e digo outra vez: regozijem-se!

Ao olhar para o moço, ela percebeu que ele não enxergava e não havia todos os dentes em sua boca, mas, mesmo assim, ele sorria.

Ela havia passado por uma semana bem triste, mas sua tristeza era por coisas mínimas.

Alice devolveu o sorriso e continuou caminhando. Algo agitou sua mente. Ela não sabia o que a havia mais surpreendido naquele momento, se era o verso ou o fato de aquele moço aparentar ser tão feliz mesmo limitado fisicamente.

Estava bem perto de sua casa e outra coisa chamou sua atenção: nunca havia se encontrado com aquele moço no bairro.

“Meu Deus, que moço bacana, e como ele parece ser feliz!”, ela pensou.

Parou em frente à padaria e se questionou: “Será que ele sente fome? Será que é morador de rua?”.

Entrou na padaria e se deparou com uma adolescente que estava acompanhada pela mãe.

Alice foi direto aos alimentos, pegou três pães, um bolo e uma caixa de leite. No balcão pediu um copo descartável e foi para a fila pagar sua compra.

Na fila, ouviu a adolescente dizer:

– Eu odeio este pão, mãe. Quero outro!

– Filha, você mesma viu que hoje não tem. Sempre compro tudo o que você me pede. Não sei mais o que fazer para te agradar… – a mãe explicou decepcionada.

– Odeio! Simplesmente odeio não ter o que eu quero.

Alice juntou as duas cenas na mente e formou uma verdadeira confusão, a ponto de ela fixar seus olhos na adolescente e a encarar, esquecendo-se de avançar na fila. Percebeu na hora o paradoxo: uns felizes com tão pouco e outros reclamando de mão cheia.

Pagou sua compra e apertou o passo até o moço. Alice o perguntou se ele estava com fome. Ele respondeu:

– Várias pessoas passaram por mim hoje. Sorri para o máximo que pude, acho que algumas me devolveram o sorriso; umas por dó, outras por alegria mesmo, mas ninguém me perguntou se eu queria comer algo… Engraçado é que alguns até jogaram moedinhas para mim. – ele sorriu de novo.

Alice também sorriu e esperou a resposta dele.

– Então, menina, o que você trouxe para mim?

– Tenho aqui três pães, bolo e leite. – ela respondeu empolgada.

– Deus é mesmo muito bom, por isso devemos viver contente em toda e qualquer situação e, também, devemos orar em todas as ocasiões. Ele cuida dos passarinhos… – ele sorriu novamente pegando um pão.

Alice colocou o leite no copo e o serviu, bem ali, na calçada do bairro, onde várias pessoas passavam diariamente. De repente, a mesma adolescente que estava na padaria, passou emburrada ao lado da mãe, do outro lado da rua – que era bem estreita.

– Acho que você deveria conversar um pouco com ele para você aprender a valorizar o que tem. – disse a mãe mostrando o moço à filha.

– Ele não tem o que comer, mãe? Todos os dias?

– Pergunte a ele.

Alice percebeu a conversa.

A adolescente se aproximou do moço e ele notou a presença dela. Retirou logo um folheto de seu bolso e a entregou antes que ela falasse algo.

Após ler o folheto, a adolescente desistiu de fazer a pergunta e voltou para perto de sua mãe mostrando-lhe o verso que falava de alegria. As duas foram embora, com certeza, impactadas pelo momento.

Alice se despediu do moço e prometeu que voltaria.

Ao chegar em casa, agradeceu a Deus por aquele dia e pelas lições. Ela pediu a Deus que nunca a deixasse esquecer que é preciso estar alegre sempre, independente das circunstâncias. E mais: aprendeu que Deus realmente cuidava de tudo, cabia a ela colocar toda a sua vida em oração e viver contente em toda e qualquer situação, até porque a alegria genuína vem de Deus e não de coisas.

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O caminhar da folha

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A folha voa com o vento
Suave vento que a leva para onde quer
Ela não lhe pergunta o caminho
Ela, simplesmente, vai!

Nos laços do amor
Nos laços da bondade
Ela vai!

Rendida ao sussurrar do vento
Rendida à leveza de seu toque
Ela vai. Simplesmente vai!

A folha voa com o vento
Suave vento que a leva para perto de Deus…

Tathiana Oliveira
Belo Horizonte, 2013

Cristianismo Básico – Parte 1

Há algo de que me orgulho muito em minha igreja local: lá tem uma biblioteca. Sim! Somos incentivados a ler bons livros que nos ajudem na caminhada cristã. Há 15 dias peguei o ‘Cristianismo Básico’; do escritor que conheci por meio do livro ‘Crer é também pensar’ e me apaixonei por sua simplicidade e profundidade ao expor assuntos tão importantes.

John Robert Walmsley Stott (1921 – 2011) foi um líder anglicano britânico, conhecido como uma das grandes lideranças mundiais evangélicas. Teólogo, escritor e evangelista. Autor de mais de 40 livros. Foi um dos principais autores do pacto de Lausana, em 1974. Em 2005, a revista Time classificou Stott entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.

Parte1

O livro (foto) foi traduzido pelo músico, professor, tradutor, intérprete de conferências e escritor Jorge Camargo, tem 208 páginas e foi publicado em 2007 pela editora Ultimato. É dividido em quadro partes e cada uma delas contém algumas subdivisões.

Vou dividir essa resenha, portanto, em quatro textos para não me estender muito em um texto só. Quero, com este, compartilhar um pouco do tanto que esse livro me edificou.

Vamos lá!

Começamos com um prefácio que nos instiga a conhecer um pouco mais acerca do cristianismo e que nos alerta dizendo que:

Devemos assumir um compromisso pessoal com o Senhor Jesus (…). Devemos nos humilhar diante dele. Devemos confiar nele como nosso Salvador e nos submetermos a ele como nosso Senhor; para então assumirmos nossos lugares como membros fiéis da igreja e cidadãos responsáveis dentro da comunidade. (p. 10)

Passamos, então, para uma ‘abordagem correta’, na qual precisamos entender a iniciativa de Deus: Ele falou e agiu. ‘O cristianismo é uma religião de salvação’ (…) é uma ‘mensagem de um Deus que amou, buscou e morreu pelos pecadores perdidos’. Diante disso ‘nós precisamos buscar a Deus’.

Como buscar a Deus? John Stott destaca quatro formas: diligentemente, humildemente, honestamente, obedientemente. ‘Devemos pôr de lado a apatia, o orgulho, o preconceito e o pecado, e buscar a Deus a despeito das consequências’.

Começando a primeira parte, que é dividida em três seções, o autor apresenta ‘as afirmações de Cristo’ (primeira seção) para provar que Ele é realmente o filho de Deus e para isso declara que ‘iremos estudá-lo a partir dos Evangelhos’ (Mateus, Marcos, Lucas e João). A primeira coisa que precisamos nos atentar é para o ensino de Cristo, que é autocentrado, ou seja, Ele falava de si mesmo.

E ao falar, suas afirmações eram inusitadas, diretas e indiretas:

(…) suas afirmações diretas [‘Eu e o Pai somos um’, por exemplo] se referem a ele não apenas como o Messias, mas também como divindade. Sua afirmação de que Ele era o filho de Deus foi mais que messiânica; com isso Ele descreveu seu relacionamento único e eterno com Deus. (p. 32)

Já as indiretas tinham algumas funções específicas, como perdoar pecados, conceder vida, ensinar a verdade e julgar o mundo. Tais afirmações cabiam somente a Deus, mas Cristo as atribuiu a si mesmo.

Stott traz, ainda, outro tipo de afirmações, as dramatizadas. ‘Podemos dizer que os milagres eram representações das parábolas de Jesus, uma expressão visual de suas declarações’ (grifo meu). Enfim, com todas essas afirmações começamos a investigar um pouco mais sobre a vida da pessoa central do cristianismo.

A segunda seção vai abordar ‘o caráter [altruísta] de Cristo’ de uma forma linda. É possível, por meio dessa parte, conhecer ainda mais características de Jesus. Stott analisa ‘o que Cristo disse de si mesmo’, ‘o que disseram os amigos de Jesus’, ‘o que os inimigos de Cristo reconheceram’ e ‘o que podemos ver por nós mesmos’. Não vou explorar muito cada um desses subtítulos, pois minha intenção com esta resenha é te incentivar a ler o livro inteiro.

No entanto, é importante ressaltar uma questão sobre o caráter de Cristo:

Ele acreditava firmemente naquilo que ensinava, mas não era um fanático. Sua doutrina era fora do comum, mas ele não era um excêntrico. Há evidências tanto da sua divindade quanto da sua humanidade. Ele se cansava. Ele precisava dormir, comer e beber como qualquer outro homem. Ele sentiu as emoções humanas de amor e ira, alegria e tristeza. Ele era completamente humano, e no entanto, não era apenas um homem. (p. 54)

Na terceira e última seção da primeira parte, o autor fala sobre as evidências históricas d‘a ressurreição de Cristo’. Ele começa com o fato de que ‘o corpo [de Cristo] desapareceu [do túmulo]’, abordando cinco teorias/argumentos que são contra isso, mas que não apresentam evidências históricas. Justamente por isso, Stott afirma que:

Diante da falta de qualquer explicação alternativa razoável, talvez possamos ser perdoados se preferirmos a narrativa simples e sóbria dos Evangelhos, ao descrever os eventos do primeiro dia da Páscoa. O corpo de Jesus não foi removido do sepulcro por homens; ele foi ressuscitado por Deus. (p. 64 e 65)

Após fazer tal ressalva, ele parte para as evidências da ressurreição. A primeira evidência é que ‘as vestes do sepultamento estavam intocadas’. Podemos entender isso com as palavras de João: ‘A seguir Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho’ (João 20:6-7).

Por fim, Stott reafirma, com as palavras de Paulo, que ‘muitos viram o Senhor’:

(…) e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo. (1 Coríntios 15:5-8)

E, finalmente, que ‘os discípulos foram transformados’. John Stott aponta que ‘os homens que aparecem nas páginas dos Evangelhos são diferentes daqueles que vemos no livro de Atos’. As duas mudanças que ele destaca são em Pedro e em Tiago.

Com essa primeira parte deu para ter noção (e curiosidade) do tanto que esse livro é bom? Vale muito a pena lê-lo e relê-lo.  Não deixe de acompanhar o blog para conferir as outras três partes. (Aqui você encontra o livro!)

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