Um raio de luz

Leia a parte 1 (:

Após refletir muito sobre seus dias na cidade, Lúcia resolveu matricular-se num curso de Design. Amava desenhar e foi exatamente por esse motivo que se mudou para São Paulo.

Esperou alguns meses até o início do curso. Enquanto isso passava tempo lendo seus livros de poesia e ilustrando a maioria dos poemas lidos.

Lúcia era muito calma, quieta. Gostava de passar o dia deitada na rede ouvindo pássaros. No entanto, na cidade, isso era um pouco mais difícil. Até o pôr-do-sol se escondia em meio a tantos prédios…

A garota começou a fazer prece, pedia a Deus que a ajudasse a enxergar a beleza daquela cidade tão fria. Alguns dias se passaram.

Uma semana antes do seu curso começar, parou em uma banca de revistas próxima a um café bem frequentado da cidade, como de costume e comprou o jornal do dia; e foi tomar seu café.

Sentada à mesa sozinha, fez seu pedido e calmamente lia seu jornal.

– Posso me sentar aqui, senhorita? – perguntou um moço de, aparentemente, trinta e cinco anos.

– Opa! Claro! Desculpe-me, estava distraída, não o vi se aproximar. – respondeu com um sorriso tímido.

– Não se preocupe, eu que peço desculpas. – ele se sentou. – Hoje aqui está cheio, até parece que ninguém quis fazer café pela manhã. – sorriu.

Lúcia devolveu o sorriso e pensou que aquele moço poderia ser uma boa companhia naquela manhã.

– Qual é o seu nome?

– Lúcia.

– Que belo nome, Lúcia. Sabe o que ele significa, né?

– Ah, bem, acho que não. Nunca me preocupei com isso. – bebeu um gole de café e sorriu. – Hum! Hoje o café está uma delícia. Não vai pedir o seu?

– Oh, sim, claro! – respondeu meio desajeitado. – Mas, como eu ia dizendo, seu nome significa luz. Tenho certeza que combina com você.

Aquele moço falou de um jeito tão amigável que Lúcia se encantou. Será que ele seria um bom amigo? “Seu nome significa luz. Tenho certeza que combina com você”, a frase se repetiu em sua mente como um eco.

– Acho melhor beber meu café no caminho. Estou um pouco atrasado, – olhou para um relógio enorme que ficava próximo ao balcão. – Espero te ver de novo por aqui, Luz! Então, até mais.

“Luz? Ele me chamou de Luz?”

Lúcia se despediu de forma amigável. Esse foi, praticamente, seu primeiro encontro na cidade grande, mas ela nem ficou sabendo qual era o nome do moço. A palavra “luz” tomou conta do seu dia. Na verdade, iluminou seu olhar e ela, mais uma vez, lembrou-se de um verso, no qual Jesus afirmou que somos a luz do mundo (em Mateus 5:14).

A garota voltava para seu apartamento com outro semblante. “Não importa o lugar, tenho que ser luz”, ela pensava. Sorriu para si mesma. Talvez sem saber, aquele moço a ajudou a entender melhor o que ela devia fazer naquela cidade.

(*Este é o segundo post da série de textos sobre ‘a vida de Lúcia’ na cidade grande. Acompanhe!)

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Amor de Geladeira

Lúcia andava pelas ruas de uma grande metrópole do Brasil e a cada passo se deparava com um prédio. “Quanto edifício”, ela pensava. Acostumada com o verde se sua cidadezinha, ela se espantava com os muitos elementos acinzentados da cidade grande.

Era um típico dia de inverno, que, inclusive, deixava a cidade ainda mais fria. “Tenho saudade do meu cantinho, ainda não sei o que me trouxe até aqui”, ela se questionava. Embora tenha sido seu desejo conhecer a cidade, após um mês já sentia falta do seu ambiente natural.

A garota abria o jornal todos os dias. Pinçava algumas notícias legais, verificava o caderno de cultura e esportes, mas quando folheava o caderno de notícias, sentia vontade de chorar.

“A cada dia me surpreendo mais – de forma negativa – com o ser humano. Quanta maldade, quanta injustiça!”, ela pensava. Lúcia mantinha sua mente borbulhando, ainda não havia amigos para compartilhar suas ideias.

Olhando-se no espelho, Lúcia disse em voz alta:

– Por que as pessoas estão, cada vez mais, distantes de Deus? Por que entregam suas vidas aos seus próprios egos e cobiças? Por que usam outras pessoas como se fossem objetos descartáveis? Prejudicar, seja direta ou indiretamente, é verbo aprendido facilmente nos dias de hoje… Uma pena!

A garota, decepcionada, já havia entendido que amor ao próximo não era conselho acatado pela maioria das pessoas.

– Meu Deus, por que tanta maldade? Onde está o amor? – ela continuava seu discurso.

Lembrou-se, então, de um verso anunciado por Jesus, que dizia que o amor de muitos esfriaria (em Mateus 24:12). E, de fato, há algum tempo o amor foi guardado em uma geladeira e aos poucos vem sofrendo mudanças de temperatura. Isso é bem visível.

Já há um bom tempo que, qualquer pequeno ato de amor, qualquer gesto de afeto, é uma pequena faísca que impede o congelamento total do amor. E pode reacender, mesmo que aos poucos, a chama do amor na sociedade.

Lúcia não sabia se seu lugar era na cidade grande semeando o amor (com dificuldade), ou em sua cidadezinha, na qual a semeadura era mais fácil. No entanto, uma coisa era certa em meio àquelas dúvidas: “é preciso amar; é preciso encher-se do amor de Deus para, assim, plantá-lo em outros corações”.

Seu passeio durou mais que o esperado, e Lúcia conseguiu deixar a sementinha do amor em cada um de seus passos.

(*Começa, com este post, uma série de textos sobre ‘a vida de Lúcia’ na cidade grande. Acompanhe!)20130209-011028.jpg

Oração da alma

Lembro-me de ter lido em algum lugar algo sobre ‘alma de joelhos’. Lembro-me que isso marcou muito meu coração, tanto que comecei a incluir em minhas preces a vontade que tenho de que minha alma permaneça de joelhos diante de Deus.

Especialmente nessa semana, essas palavras vieram com os ventos acionar minhas lembranças.

Procurando aqui na internet, encontrei a seguinte frase:

Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos. (Victor Hugo)

É exatamente assim que me sinto em algumas situações.

Com a correria do dia a dia, confesso, pouco tenho me ajoelhado diante de Deus para, talvez, simplesmente reconhecer sua grandeza. Mas, minh’alma se volta a Ele, e, constantemente, reconhece a necessidade da companhia dEle ao longo dos dias.

Sei que Deus nos encontra até mesmo quando estamos distraídos. Seu chamado é doce, irresistível; sua companhia acalenta a vida. É justamente isso que motiva minha alma a se ajoelhar.

Ainda que o cansaço venha, o que me consola é saber que Deus não nos sobrecarrega. Ainda que o desânimo bata à porta, o que me consola é a voz de Deus nos detalhes mais “insignificantes” da vida.

Tenho isto por certo: ‘(…) Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia.’ (2 Coríntios 4:16)

Ainda que meu corpo esteja cansado, que minha alma se ajoelhe e que meu espírito seja diariamente renovado. Sobretudo, na companhia de Deus.

Que assim seja!

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