Ventania

Desde segunda-feira que eles chegam no mesmo horário. É no final da tarde que os ventos vêm, e com força total. Embora eles refresquem bastante — até porque aqui na minha cidade está terrivelmente quente (antes do fim da tarde) —, eu admito que às vezes tenho medo do que eles podem causar.

As nuvens encobrem o céu por volta das três horas da tarde. Com isso elas, e os ventos, estão avisando: “olha, vem chuva por aí!”. Amo chuva! No entanto, esse tipo de chuva “pós calor” me deixa um pouco tensa.

Nesse período do dia, se as janelas permanecem abertas enquanto os ventos passam, objetos caem, e papéis brincam pela casa… Provocando uma bagunça!

Essas ventanias metaforicamente me lembram as turbulências da vida. Causam medo e, num instante mudam tudo, desfazem as ordens.

Assim como aconteceu na vida de Jó. Os “ventos” levaram tudo o que ele possuía, exceto sua vida. As circunstâncias (que para ele eram inesperadas) tiraram-lhe toda a ordem, paz, e tranquilidade.

Jó não estava preparado, ninguém está! No entanto, ele entendeu os propósitos daqueles momentos quando disse:

Meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito, mas agora os meus olhos Te viram.
(Jó 42:5)

Penso que, em alguns momentos, Deus permite que as ordens da vida sejam abaladas justamente  para que sejam refeitas nEle; na dependência da Sua graça.

Não é suficiente apenas ouvir a respeito de Deus, é preciso caminhar com Ele;  reconhecê-lo diariamente, a todo instante. As ventanias vêm… Até porque fazem parte da vida (esta é um punhado de recomeços); essencial mesmo é reaprender com Deus, tirar do bolso a coragem, e então,  recomeçar.

Coragem, medo e fé.

Em meio às tantas lições, recentemente aprendi que é preciso não ter medo do que é novo.

Os dias são todos imprevisíveis; cada amanhecer pode revelar a rotina de sempre, ou talvez algo bem surpreendente, diferente do esperado.

Aliás, pensando bem, a vida é toda assim, imprevisível [e delicada]. Passamos por fases como a Lua; por estações como a natureza; no entanto, ainda podem acontecer alguns  ‘fenômenos’ inesperados.

A verdade é que não somos tão preparados assim para essa complexidade que chamamos de vida. Vamos vivendo. Um dia de cada vez, planejando…
Tá aí a importância da fé! Acredito que hoje essa é a única certeza que carrego comigo. Não abro mão de ter meus dias submetidos ao cuidado de Quem sabe mais sobre eles do que eu.

Quero coragem. Coragem para enfrentar o novo, sem medo e com bom ânimo!

Palavras presas

Música lenta, vento correndo através da janela, fumaça pequena de café e fim de tarde com sol. Assim se foi parte do meu dia.

Meu coração martelando, pedindo palavras e eu ainda não consegui entender o que ele quer me dizer.

Já escrevi e apaguei algumas ideias, mas não, ainda não sei o que quero dizer.

Talvez eu não queira dizer nada, talvez sejam tantas coisas que eu nem consiga colocar em ordem, talvez…

Podem ser coisas para mim mesma, para Deus, ou para os outros.

Resgatei algumas ideias perdidas, revivi algumas memórias e cheguei exatamente à conclusão de que eu posso escrever o que eu quiser, pelo menos para acalmar meu coração.

Não precisa ser exato, nem precisa ter tanta razão assim.

Se for para mim mesma, será mais fácil entender.

Se for para Deus, Ele vai me entender.

Já os outros, eles não sabem como nascem essas palavras aqui dentro; os outros não vivem o que eu vivo, então, pode ser que não me entendam tão bem.

Toda palavra carrega um pedacinho do coração. Então, melhor deixar o próprio organizá-las antes de libertá-las.

Deixá-las presas…?! Melhor não!

 

 

 

 

Hoje!

Acordar cedo tem me feito muito bem. Já sair logo pela manhã nas ruas para caminhar, ainda na companhia da minha mãe, tem me renovado diariamente.

Hoje eu acordei normal; sem muitas expectativas, sem desânimos, somente normal.

Mas aconteceu algo engraçado! Sonhei que estava compondo, e acordei ouvindo “minha música”. Lembro-me que a letra dizia:

“Quero ser feliz, feliz…” ♪

Num ritmo bem animado, eu dançava no sonho (risos!).

Ah! E quem não quer ser feliz, né? Bem clichê essa “minha composição”, no entanto, logo cedo isso me provocou sorrisos.

Acordei bem assim hoje: coração tranquilo, alma leve, mente livre, sem pendências… caminho aberto para um relacionamento mais profundo com Deus.

Quero ser feliz, hoje!

Até porque, pra mim, a felicidade está nos joelhos dobrados, nas mãos entrelaçadas, nos olhos fechados, na lágrima (que é a expressão do coração inalcançada pela palavra); E no suspiro, que também exprime o que está preso do lado de dentro.

Essa felicidade permanece e faz bem, essa não é clichê.

Em dias normais, como hoje, é que mais sinto a bondade e o amor de Deus. Não quero pedir nada, não quero me queixar de nada, quero apenas estar com Ele, passar o dia ao Seu lado, e ser feliz.

 

Uma festa extraordinária!

Houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali;
Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento.

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Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
Respondeu Jesus: “Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou“.
Sua mãe disse aos serviçais: “Façam tudo o que ele lhes mandar“.
Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabia entre oitenta a cento e vinte litros.
Disse Jesus aos serviçais: “Encham os potes com água“. E os encheram até à borda.
Então lhes disse: “Agora, levem um pouco do vinho ao encarregado da festa”. Eles assim o fizeram,
e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo
e disse: “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora“.
Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
(João 2:1-11)

Provavelmente você conhece esse texto, mas já tentou se imaginar nessa cena, na situação de um convidado? Tente fazer isso.

Imagine que você está nessa festa de casamento, e de repente o vinho acaba. Acabou depois de um bom tempo de festa; depois das pessoas estarem satisfeitas. Já estava tarde e você havia aproveitado bem. Com isso, você e mais algumas pessoas decidem ir embora.

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Mas, calma… Algo estranho está acontecendo. Um moço pediu para os serviçais encherem os potes de água. Água? Você simplesmente não entende aquilo, no entanto, resolve ficar mais um pouco para ver o que vai acontecer.

Logo depois você descobre que aquele moço transformou (isso mesmo!) água em vinho.

Que noite, heim?! A partir daquele dia você viu que bem perto de você estava um Homem poderoso, e então você passou a crer nEle.

É uma cena simples, mas se nos atentarmos bem aprenderemos muitas coisas. Destaquei no texto as frases que mais chamaram a minha atenção e eu quero compartilhar um pouco do que aprendi.

Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.

Maria sabia exatamente quem era Jesus. Então, com essa simples frase: “Eles não têm mais vinho”, ela pediu um milagre para Ele. Assim como Maria, quantas vezes nós também já fizemos (e ainda fazemos) o mesmo? Muitas, não é mesmo? Uma cura, transformação de familiares, libertação de alguém, e afins. A verdade é que sempre aparecerão situações em que necessitaremos de milagres, e só Jesus poderá nos auxiliar.

Não é errado clamar por um milagre, todavia, temos que nos submeter ao tempo (e à vontade) de Deus. Sabemos, de acordo com Eclesiastes 3:1, que há um momento certo para cada propósito debaixo do céu. Essa é a parte difícil, pois somos chamados a esperar, a desenvolver paciência. Em pleno século XXI, esperar é um verbo que saiu de moda, ter paciência então… Ninguém espera nada, tudo é “pra ontem”. No entanto, na vida cristã não é assim.

Sua mãe disse aos serviçais: “Façam tudo o que ele lhes mandar“.

Além de esperar, obedecer é mais uma atitude que Deus requer de nós. Maria sabia que tudo o que Jesus ordenasse deveria ser cumprido, pois suas palavras eram do próprio Deus. Para as nossas vidas não é diferente, somos filhos de Deus, certo? Filhos obedecem (ou, pelo menos, deveriam) aos pais, por isso que precisamos obedecer nosso Pai, Ele sabe o que é melhor e Sua vontade — seja ela qual for — é PERFEITA.

Às vezes, Deus nos pede coisas que não entendemos. Um exemplo simples é quando estamos no momento da oração e de repente Deus nos faz lembrar de uma pessoa, para que oremos por ela. Já aconteceu isso com você? Nosso dever é obedecer, Ele usa as nossas vidas para abençoar outras vidas. Logo, mesmo sem entender a situação, jamais nos esqueçamos: Deus está no controle de todas as coisas.

Os serviçais encheram os potes de água, aquilo parecia estranho, mas eles obedeceram. Jesus mandou que levassem a água para o encarregado prová-la. Quando ele provou, chamou o noivo e, simplesmente, amou aquele vinho. “Você guardou o melhor até agora”, foi o que ele disse.

Aprendo com essa reação do encarregado que quando Deus opera o milagre, e/ou responde nossas orações, Ele o faz de forma perfeita. Só Ele faz o MELHOR (ainda que não seja aquilo que esperamos), Ele sabe de todas as coisas. Da situação que estava perdida, Deus trouxe o melhor.

Valeu a pena obedecer? É claro! Se os serviçais olhassem para Jesus com desprezo e não o obedecessem, nada disso teria acontecido. Vale a pena obedecer e se submeter a vontade de Deus sempre.

O melhor disso tudo é que através do que Deus faz em nossas vidas, Ele é glorificado. As pessoas que estão à nossa volta reconhecem que só Ele poderia fazer tal coisa, e assim, creem nEle. Isso é maravilhoso! E aconteceu naquela festa, pois João finaliza essa cena dizendo:

Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

Que tenhamos paciência para esperar o tempo de Deus, que façamos o possível para obedecê-lo e agradá-lo em todas as coisas. Tenhamos essa convicção: quando Deus faz, Ele faz o melhor, para a glória dEle, para que pessoas o reconheçam e creiam nEle.

Com carinho,

Diário de Uma Paixão

Quem me acompanha pelo Twitter sabe que eu amo os livros do Nicholas Sparks. A cada romance que leio me apaixono mais pela maneira que ele enxerga o amor entre duas pessoas. Se seus romances são utópicos não me interessa, o que me faz gostar desse tipo de leitura é a minha fé no amor puro, no amor verdadeiro, no amor que dura eternamente (acima das dificuldades diárias).

Vários filmes foram baseados em seus livros, como ‘Um Amor Para Recordar’, ‘A Última Música’, e outros. Eu leio o livro e logo após, assisto ao filme. Há mais ou menos um ano li ‘Diário de Uma Paixão’ e também assisti ao filme (que recebe o mesmo nome). Não preciso falar o quanto chorei, né? Sou dessas menininhas (estou com quase 20 anos) que choram muito ao ver o casal ‘feliz para sempre’ (risos!).

Veja o trailer do filme:

Não quero contar detalhes, para quem se interessou (e gosta desse tipo de filme), indico que assista! O que chamou a minha atenção nele foi, principalmente, a fidelidade e o amor incondicional do marido para com sua esposa. Fidelidade é algo que Deus aprova, pois Ele é essencialmente fiel. E, amor incondicional é exatamente o que Deus sente [e demonstra] por nós.

A partir disso, encontrei essa mesma fidelidade e amor num casal muito especial da Bíblia: Maria e José.

Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel” que significa “Deus conosco”. Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz. E ele lhe pôs o nome de Jesus.

(Mateus 1:18-25)

Imagine-se na situação de Maria: você está noiva, nunca teve relações sexuais, e se encontra grávida. Você entraria em pânico, certo? Seu noivo pensaria que você o estava traindo e, provavelmente, terminaria o noivado. Pronto! Você, sem entender nada, estaria sem marido e com um filho para criar. Como explicar para a sociedade essa gravidez?

Embora José tivesse motivos para, talvez, brigar com Maria, ou até mesmo, expor a situação dela em praça pública (para provar que estava sendo vítima de traição), ele preferiu não fazer nada disso. Ele iria apenas anular o casamento secretamente. Com isso, ele provou que a amava, e que apesar de não entender — a princípio — àquela gravidez, ele queria o seu bem.

Deus, através do Seu anjo, em sonho, explicou a situação para José, que era um homem justo. Depois desse sonho, então, ele entendeu o que estava acontecendo. Imagino que a alegria genuína tomou conta do seu coração naquela hora, ao pensar que sua futura esposa seria a mãe do Homem que salvaria as pessoas dos seus pecados.

Sendo assim, José com fidelidade e amor incondicional (pois não se importou com o que as pessoas pensariam) casou-se com Maria. E, antes de Jesus nascer não tiveram relações sexuais. Mais uma prova de que ele a amava de verdade, e estava disposto a viver com ela.

Talvez você seja uma moça solteira e possa estar pensando: “Ah! Eu ainda nem tenho alguém para ser fiel e demonstrar esse tipo de amor incondicional…”, mas, isso não é verdade. Você que está solteira pode sim demonstrar fidelidade ao seu futuro cônjuge.

Sabe a mulher virtuosa de Provérbios 31? Então, no versículo 12, da sua descrição, diz: “Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida”. Logo, TODOS os dias da sua vida são realmentetodos. Enquanto você está solteira, ore. Ore para que Deus cuide do seu futuro cônjuge, para que Deus o livre de mulheres erradas e para que vocês estejam espiritualmente prontos um para o outro.

Para você que namora, meu conselho é simples: além de orar muito pelo namoro, seja fiel e demonstre esse amor. Como demonstrar esse amor? Ore pela vida do seu namorado, ajude-o espiritualmente, jejue para que não caiam nas tentações da carne, e obedeça sempre à palavra de Deus.

Se você é casada, além de fidelidade e amor incondicional [e de muita oração], lute sempre em favor de um relacionamento eterno. Que seu casamento esteja firmado na rocha firme que é Jesus. Pois, “o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Marcos 10:9); e, saiba que “tudo quanto Deus faz durará eternamente” (Eclesiastes 3:14).

Que nós mulheres sejamos fiéis e amorosas! Que Deus nos ensine a caminhar em nossos relacionamentos da maneira que Ele deseja. Sobretudo, que Deus seja sempre a prioridade das nossas vidas, e que tenhamos Sua palavra em nossos corações.

Com carinho,

Uma nova motorista

Não sei qual foi o nível de dificuldade, mas eu levantei. Após uma noite inteira me remexendo de um lado para o outro, como se a ansiedade estivesse brigando (ou brincando) com a minha tranquilidade. Mas, de madrugada? Isso são horas para brincadeiras, ou brigas?

Seja lá o que for, amanheceu. Peguei o celular e na tela estava escrito: 08:13. Tudo bem, ele despertaria às 08:15. Sono era tudo o que eu tinha. Ah! E vontade, claro, de ficar na cama.

Havia um compromisso para aquele sábado de manhã. Depois de duas tentativas frustradas aquele dia poderia ser diferente. Desde janeiro eu estava nessa jornada que precisava ser cumprida. Aliás, eu tinha exatamente um ano para cumpri-la.

Enfim, tomei meu banho. Daqueles que costumamos dizer que “lavam a alma” para ver se eu acordava de verdade. Agradeci por mais um dia, e pela terceira oportunidade de conquistar esse sonho. Ergui a cabeça e decidi que queria mesmo, naquele sábado, concluir a tal jornada.

Após muitos minutos de espera o carro chegou. Vermelho, quatro portas e com um detalhe amarelo em volta. “Ufaa!”. Suspirei de alívio ao olhar para o celular e descobrir que ainda estávamos dentro do horário. Tudo indo bem. “Ainda bem!”.

– Bom dia, gente!

No carro havia mais duas moças e o motorista. Respirávamos o mesmo ar. Estávamos todos ansiosos e acredito que com medo também. Que sensação horrível. Minhas pernas pulavam de forma involuntária. Como se eu estivesse ligada na tomada, meu corpo tremia em choque.

A verdade é que eu precisava do meu corpo estático. Eu fazia de tudo para parar a tremedeira, mas não funcionou. Então tentamos um assunto no carro para aliviar toda aquela tensão. Falível a tentativa. O assunto era consumido pela quantidade de ansiedade presente no momento.

Chegamos ao nosso destino. Meu coração, conversando silenciosamente com Deus, pedia calma e paz. Ao ver uma fila de carros, cada um de uma cor, mas todos com o detalhe amarelo, minha mente deu um nó. E olha que ali ninguém estava competindo nada com ninguém. Meu maior adversário era meu próprio medo.

De roupa social, gravata, óculos escuros e papéis nas mãos. Assim passavam as duplas que estavam naquele local. Estremeci! Saímos do carro e procuramos uma sombra. Ao se aproximarem dois desses homens, comecei a tremer. “É agora!”.

– Bom dia! Tudo bem, gente? Quem vai ser a primeira?

A ordem foi resolvida no caminho. Eu seria a segunda. Enquanto a primeira passava por aquele momento, eu conversava com a terceira (e meu coração continuava com as petições). Em cinco minutos ela estava de volta.

Chegou a minha vez. Terceira chance. Poderia ser a última, ou apenas mais uma. Eu ansiava que fosse a última. Mas, tudo tem seu tempo e isso eu havia compreendido.

Entreguei meus documentos. Ajustei o banco, os retrovisores e puxei o cinto. Coloquei as duas mãos no volante para me certificar de que estava tudo bem antes de ligar o carro.

– Já casou?

Acredito que minhas duas alianças provocaram uma dúvida naquele moço alto de cabelos brancos e óculos escuros. Aquela pergunta soou como “fique tranquila, vai dar tudo certo!”, a tremedeira sumiu. Eu estava pronta, pronta para completar minha jornada naquele sábado.

Liguei o carro, coloquei a primeira marcha, abaixei o freio de mão, sinalizei, olhei para fora e comecei o meu tão temido: terceiro exame de direção veicular.

Fiz exatamente o mesmo trajeto que havia feito no primeiro exame. Creio que para provar para mim mesma que minha primeira tentativa poderia ser – de fato – superada.

Viramos à direita, seguimos e viramos à direita de novo. Ao subir o morro fui orientada para realizar um “controle de embreagem”. Nessa hora eu não podia tremer, não mesmo. Toda a concentração do meu corpo se localizava no meu pé esquerdo.

– É isso aí, parabéns, menina!

“Ufaa!”, respirei aliviada.

O moço do cabelo branco que estava ao meu lado era simplesmente um moço comum. Dispunha de poderes devido ao seu cargo na sociedade, mas, também, dispunha de uma simpatia inigualável. Não imaginei que seria assim. Fiquei tão tranquila, meu coração sorria calmamente.

Depois de concluída a primeira parte desse desafio, fui encarar a segunda. Esperei por volta de trinta minutos. Eu precisava manter a calma, confesso que não foi difícil.

Quando chegou a minha vez, eu sabia que em cinco minutos eu poderia ter meu sonho realizado, ou não. Entreguei novamente meus documentos e ajustei o que tinha que ajustar.

– Tathiana com “h”?

Pronto. Mais uma pergunta metafórica. Eu sabia que ela significava a mesma coisa daquela outra (“Já casou?”). Fiquei mais tranquila do que já estava.

Ao terminar a manobra de colocar o carro entre os cones, ouvi o moço me pedindo para desligar o carro, pois eu estava aprovada.

“Glória a Deus!”, foi o que consegui falar. Saí do carro em lágrimas e com o papel nas mãos com “duas” aprovações (por causa das duas etapas do desafio). Mais do que depressa peguei o celular para avisar àqueles que estavam almejando essa realização junto comigo.

Que alívio foi poder acordar na segunda-feira sem a preocupação de ter aula de direção. Que felicidade é ter um sonho realizado.

Só quem ‘reconhece o Senhor em todos os caminhos’ (Pv. 3:6) sabe o que é aprender e ter experiências com Ele antes de uma conquista.

‘Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.’ (Romanos 11:36)

Com carinho,