Se eu pudesse

Já pensei em como seria se eu pudesse ter várias caixinhas para organizar todos os meus sentimentos.

Para os sentimentos mais bonitos, eu separaria as caixinhas coloridas, decoradas e chamativas.

Para os sentimentos sombrios, caixinhas escuras e opacas.

Quem me dera poder não ter as caixinhas escuras, poder jogá-las fora, mas elas são inevitáveis.

Bom seria, também, se eu pudesse escolher os tamanhos das caixinhas.

Separaria uma gigante, a maior de todas, e guardaria o amor. Uma outra, pouca coisa menor, para guardar o bem-querer.
E assim eu empilharia todas por cima do amor, deixando-o ser a base de todos os outros sentimentos.

Eu colocaria essas caixinhas coloridas em uma prateleira, de forma bem visível, que seria para que todas as pessoas que me conhecem/conhecessem as pudessem ver.
As caixinhas escuras eu esconderia no fundo do guarda-roupa e o trancaria. E sim, eu jogaria a chave fora, que era pra nunca precisar usar tais caixinhas e nem apresentá-las a ninguém.

Sabe, já pensei em como a vida seria mais bonita se a gente pudesse escolher os sentimentos que carrega.

No entanto, já aprendi que não tem jeito; tem sentimento que cria raiz mesmo quando a gente não quer.

Já pensei em como seria… Mas, só pensei, até porque do lado de fora, a vida acontece de um jeito diferente.

Tento inventar essas caixinhas dentro de mim, mas não exija muito, pois por enquanto, eu só tento.

A falta de tempo

Existem diversas coisas que nos roubam o que temos de mais delicado: o tempo. Se não soubermos administrá-lo bem, vamos nos perder em meio às atividades cotidianas.

O tempo que passou/passa, não volta. Disso, já sabemos, certo? Então precisamos cuidar com carinho e excelência do tempo que Deus nos deu/dá enquanto vivemos nessa terra.

Todo relacionamento é fortalecido com atitudes. Não se constrói uma boa relação da noite para o dia. Relacionar-se exige — além de tempo — amor, perseverança, renúncia, paciência, compreensão e mais um punhado de coisas.

Para manter um bom relacionamento com Deus não é diferente. Precisamos nos policiar a todo momento no quesito ‘meu tempo com Deus’. Quanto mais tempo dedicado, mais provamos o quanto nos importamos (Mateus 6:21).

Há três coisas que são indispensáveis para a caminhada cristã, primeira: vontade de conhecer a Deus, de estar com Ele. Segunda: dedicar uma parcela do dia para crescer espiritualmente de forma individual, com experiências pessoais. Terceira: ser sincero com Deus, e não superficial.

Esse é o conselho de Jesus: ‘quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai…’ (Mateus 6:6/NVI). É claro que precisamos estar em comunhão com Deus durante o dia todo, mas aqui, Jesus destaca a necessidade de momentos exclusivos com Deus.

Que não deixemos a ‘falta de tempo’ invadir nosso relacionamento com Deus. Se Ele é prioridade em nossas vidas, não nos preocupemos, pois o restante (aquilo que necessitamos) Ele nos acrescenta (Mateus 6:33).

Com carinho,

Uma lição sobre a fé

Há dias em que minhas inseguranças resolvem se agitar. Chamam meus medos e juntos eles tentam enfraquecer o que mais preciso para caminhar: a fé.

Em meio às tantas perguntas, às tantas dúvidas, percebo o quanto sou frágil, e o quanto preciso de Alguém que me guie, que me ajude a caminhar.

Pela graça, já aprendi que esse Alguém é Deus, só Ele sabe exatamente por onde devo caminhar, e quais atitudes tomar. Quando as circunstâncias são contrárias às minhas expectativas, busco força nEle, através da fé que carrego dentro de mim.

A fé é o que tenho de mais bonito em mim, faço questão de mantê-la forte, aliás, pensando bem, é ela que me mantém forte. Através dela que procuro aprender [e perceber] o que Deus quer de mim nesses dias em que as interrogações aparecem.

É isso. A palavra do dia é fé, paradoxalmente, ela é maior do que qualquer insegurança. Há coisas que são completamente inexplicáveis, a fé é uma delas.

Descobrindo palavras

Fé. Era a primeira vez que ouvia aquela palavra. Laura, com seis anos de idade, apenas, estava começando a descobrir o mundo, e o que nele há.

— Fé?! — ela repetia para si mesma como pergunta e também como afirmação, cheia de dúvida e curiosidade.

Ela estava em seu quarto — rosa, com decorações bem femininas e infantis, super delicado — ao lado de sua escrivaninha, brincando sentada ao chão (seu lugar preferido) com algumas bonecas. Amava desenhar e pintar, tinha muitas habilidades para as artes.

Nesse cantinho, Laura começou a imaginar o que poderia significar aquela palavrinha nova. Guardou a boneca na caixa e colocou a mão em seu queixo, olhou para cima e disse:

— Fé rima com… — em voz alta, buscava alcançar outras palavras. — Com pé! — ela gritou retirando a mão do queixo, num ato de descoberta, apontou o dedo para cima. Depois riu de si mesma, com uma risada sincera, de criança que se alegra com novidades.

— Pé, fé, fé e pé. — entre cada uma dessas palavras, um sorriso. Laura era muito criativa, imediatamente cantarolou essas rimas. Enquanto cantava, levantou-se para pegar um papel na gaveta da escrivaninha.

Após colocar o papel sobre a escrivaninha, cantou mais uma vez:

— Fé rima com pé, e o pé rima com fé. — balançava a cabeça de um lado para o outro enquanto se ajeitava na cadeira. — Mas, o que é fé? É ‘a fé’, ou ‘o fé’? O que tem a ver com pé? — ela queria perguntar para sua mãe (que foi quem pronunciou essa palavra que lhe encantou), mas teve medo de ser coisa de adultos, então ficou com sua imaginação.

Depois de alguns rabiscos, Laura desenhou um pé e nele escreveu ‘fé’. Olhou para o desenho e disse para si mesma:

— Fé ajuda o pé! — soltou a frase levemente, palavra após palavra, com gosto de descoberta.

Após essa frase, como se tivesse encontrado chocolate que estava escondido, Laura abriu um sorriso; e com brilho radiante nos olhos exclamou:

— É isso!!!

No entanto, ainda não satisfeita, Laura queria saber mais sobre essa palavrinha tão pequena, e que lhe provocou um encanto quase mágico. E então, surpreendentemente, ouviu sua mãe — numa conversa com seu pai, na sala — dizendo:

— Querido, você precisa ter, só assim caminhará em segurança. Confie em Deus.

Pronto. Isso foi o bastante para Laura transbordar de felicidade, e ela teve certeza de que fé, realmente, tinha relação com pé. Confirmou, também, que fé ajuda o pé. E o melhor, que isso tudo estava relacionado ao seu melhor amigo: Deus.

Muito feliz, Laura guardou o desenho, a descoberta e as palavras. Mas, principalmente, guardou o que aprendera sobre fé. Mais tarde, no mesmo dia, compartilhou com seu melhor amigo o que havia acontecido, e o agradeceu. No fundo ela sabia que Ele havia lhe ajudado nessa descoberta.

Porque andamos por fé, e não por vista. (2 Coríntios 5:7)

Autocontrole falhando

Se tem algo que tira meu bom humor é o tal do egoísmo. Meu, do outro… Qualquer forma de egocentrismo me tira do sério.

Geralmente, o meu, eu só percebo depois que causei algum mal, mas o do outro, percebo rapidamente.

Mania feia essa do ser humano de enxergar o defeito alheio de forma bem precisa e apontá-lo como se ele mesmo não cometesse erros.

Com alguns minutos de reflexão, percebo que nesses momentos Deus está ao nosso lado, esperando atitudes pacíficas da nossa parte, esperando que usemos nosso domínio próprio — aquele que é produzido por Ele em nós.

E mais uma vez, somos convidados (por Deus) a quebrar a capa orgulhosa que blinda nosso coração, capa que não permite que o amor atravesse as fronteiras do ser.

A beleza de se relacionar com Deus consiste nisso: Ele mesmo nos coloca em situações que moldam nosso caráter para que sejamos seres humanos melhores, capazes de amar, perdoar e pedir perdão.

Serviço

Nesses últimos dias estudei a primeira carta de Paulo aos coríntios. Inspirado pelo Espírito Santo, Paulo nos traz conselhos preciosíssimos. Nem sempre são fáceis de acatar, porém, produzem bons frutos quando buscamos seguir. E nessa primeira carta, o capítulo 15 termina com o seguinte versículo:

Sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão. (1 Coríntios 15:58)

Gosto de significados, então, vamos lá. Sejamos firmes, inabaláveis e abundantes. Ser firme é ser seguro, com poucas probabilidades de despencar ou cair. Inabalável, que não se deixa abater; corajoso. E abundante significa quantidade maior do que a suficiente. Alcançamos essas qualidades somente com a ajuda de Deus.

Mesmo a primeira parte do versículo sendo suficiente para entendermos o que Deus quer de nós enquanto servos, a segunda parte nos fala que o nosso trabalho nEle não é vão. Percebo o cuidado do Senhor nesta segunda parte. Ele nos pede firmeza, coragem e abundância, e nos consola dizendo que nosso serviço nele, por Ele e para Ele não é à toa.

Quando temos uma rotina de serviço, o cansaço vem inevitavelmente. Diante disso, como cumprir o que Deus nos pede? Como ser tão constante assim em Sua obra? Bom, ao meu ver, só conseguimos através do amor. É quando colocamos nosso coração na causa. Quando amamos a Deus acima de tudo e o nosso próximo como a nós mesmos, aí sim, nosso ânimo vem e buscamos essa firmeza. Paulo confirma isso dizendo que todos os nossos atos devem ser feitos com amor (1 Coríntios 16:14).

Então, que Deus nos ajude em Sua obra. Que façamos com amor.

Com carinho,

Sobre uma espera

Utopia esperar por uma pessoa perfeita, com qualidades que se idealiza baseando em sabe-se lá o quê.

Se é para esperar, que seja por uma pessoa que ame de verdade, e prove isso com atitudes (não estou falando de declarações públicas de afeto, mas de pequenos gestos, quase silenciosos que só uma alma sensível é capaz de perceber);

A pessoa que ama, compreende — mesmo quando suas ações a incomodam.

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Relacionar é aprender, pessoas não mudam pessoas.

Em um relacionamento, se você espera alguma mudança, faça sua parte: aceite o outro como ele é.

 

(Escrevi com base neste texto: http://www.waltermcalister.com.br/site/o-amor-e-lindo/)

Com carinho,

Tathi